A bronquiolite é uma infeção
viral respiratória, muito frequente nos dois primeiros anos de vida, com
predomínio sazonal (fim do Outubro e Inverno). Geralmente é uma infeção
decorrente de uma constipação, (uma infeção respiratória das vias superiores).
Quais sãos os agentes causais da bronquiolite?
O vírus sincial respiratório é
o agente causal mais comum (mais de 70 % dos casos), no entanto foram detetados
outros vírus responsáveis pela bronquiolite como o rhinovírus, adenovírus,
metapneumovírus (MPV), influenza, parainfluenza, enterovírus, e bocavírus. Por vezes,
no mesmo episódio de bronquiolite podem estar implicados mais do que um vírus,
o que pode tornar a situação clínica mais grave.
Quais sãos os grupos de risco?
Algumas crianças têm maior
probabilidade de sofrer bronquiolite como por exemplo:
§ Crianças
ex. prematuras;
§ Crianças
com doenças respiratórias crónicas;
§ Crianças
que sofreram exposição ao fumo do tabaco;
§ Crianças
que foram alimentadas com leite materno por menos de 1-2 meses;
§ Crianças
de baixo nível socioeconómico;
§ Crianças
com cardiopatias congénitas;
§ Crianças
com imunodeficiência e com idade inferior a 3-6 meses.
Por a bronquite aguda surgir
habitualmente na sequência de contágio, a criança que frequente infantário ou
que tenha irmãos mais velhos a frequentarem infantário está também em maior
risco de ser infetada.
Qual é o prognóstico?
Numa criança que não pertença
a um grupo de risco, o prognóstico da bronquiolite aguda é bom. Geralmente a
criança recupera gradualmente das lesões do epitélio respiratório e da inflamação
num período de 1-2 semanas.
As evoluções clínicas mais arrastadas
ocorrem sobretudo em crianças em risco ou com infeções mais graves, o que é
mais comum nos primeiros meses de vida. A criança mantém por um período mais
longo um quadro de sibilância com episódios de agudização.
Quais são os sintomas?
Os sintomas da bronquiolite
consistem em:
§ Rinorreia;
§ Obstrução
nasal;
§ Tosse
com ou seu febre;
§ Dificuldade
respiratória que vai agravando, acompanhada de sibilância (pieira);
§ Irritabilidade;
§ Recusa
alimentar.
Nas crianças mais pequenas, a
bronquiolite aguda pode manifestar-se numa fase inicial por apneia (pausas
respiratórias).
Como pode ser feita a prevenção?
Algumas medidas preventivas
podem ser tomadas para evitar o contágio e a infeção das crianças, como por
exemplo:
§ Vacinação
com palivizumab, para prevenção da infeção pelo vírus sincial respiratório
(crianças em grupo de risco);
§ Lavagem
das mãos;
§ Limitar
o contacto com pessoas que tenham infeções respiratórias (como irmãos que
frequentam o infantário), e caso seja impossível utilizar máscara;
§ Evitar
locais de grande concentração de pessoas, poluídos e/ou com fumo de tabaco.
Como é feito o tratamento?
Regra geral, a bronquiolite é
bem tolerada, não sendo necessário internamento. Os conselhos dados aos pais
são fundamentalmente:
§ Fracionar
as refeições (distribuir os alimentos por um maior número de refeições para
prevenir cansaço);
§ Hidratar
a criança com líquidos (sumos, água, etc.);
§ Desobstruir
as fossas nasais e humidificar as vias respiratórias com nebulizações de soro fisiológico;
§ Controlar
a febre com paracetamol (se temperatura superior a 38 oC );
§ Elevar
a cabeceira da cama;
§ É recomendável colocar a criança numa posição vertical ou parcialmente
sentada de forma a ser mais fácil a sua respiração;
§ Não são necessários antibióticos, uma vez que que a doença é provocada por um vírus;
§ Não são necessários antibióticos, uma vez que que a doença é provocada por um vírus;
§ Não é
recomendável a administração de xaropes para a tosse ou outros medicamentos, a
não ser que seja aconselhado por médicos;
§ Não
deixar o bebé entrar em contacto com o fumo de tabaco.
Quando se deve contactar o médico?
É aconselhável contactar o
médico nas seguintes situações:
§ Se o
bebé alimentar-se menos do que metade da dose habitual, em duas ou três
refeições ou não urinar durante 12 horas;
§ Se a
febre for elevada (superior a 39 oC );
§ Se a criança
tiver outros problemas de saúde (cardíacos, pulmonares, imunológicos,
neurológicos);
§ Se os
pais sentirem-se preocupados ou se a criança não estiver muito cansada ou
irritada.
Como é feito o tratamento no hospital?
No hospital o bebé entre as análises realizadas será feita a avaliação do oxigénio do sangue através de um aparelho
chamado oxímetro de pulso (pequena luz colocada na mão, pé ou orelha da criança)
de forma a decidir se o bebé necessita de oxigénio suplementar, habitualmente
administrado por mascara facial ou um pequeno tubo colocado no nariz.
Para confirmar a causa da
doença podem ser colhidas amostras de secreções para análise, efetuadas
análises ao sangue bem como radiografias ao bebé. O internamento poderá durar
alguns dias, até o bebé conseguir alimentar-se, não tiver dificuldade
respiratória e não necessitar de oxigénio suplementar.
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