terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Bronquiolite

O que é bronquiolite?

A bronquiolite é uma infeção viral respiratória, muito frequente nos dois primeiros anos de vida, com predomínio sazonal (fim do Outubro e Inverno). Geralmente é uma infeção decorrente de uma constipação, (uma infeção respiratória das vias superiores).
 
 
Quais sãos os agentes causais da bronquiolite?
O vírus sincial respiratório é o agente causal mais comum (mais de 70 % dos casos), no entanto foram detetados outros vírus responsáveis pela bronquiolite como o rhinovírus, adenovírus, metapneumovírus (MPV), influenza, parainfluenza, enterovírus, e bocavírus. Por vezes, no mesmo episódio de bronquiolite podem estar implicados mais do que um vírus, o que pode tornar a situação clínica mais grave.
 
Quais sãos os grupos de risco?
Algumas crianças têm maior probabilidade de sofrer bronquiolite como por exemplo:
§  Crianças ex. prematuras;
§  Crianças com doenças respiratórias crónicas;
§  Crianças que sofreram exposição ao fumo do tabaco;
§  Crianças que foram alimentadas com leite materno por menos de 1-2 meses;
§  Crianças de baixo nível socioeconómico;
§  Crianças com cardiopatias congénitas;
§  Crianças com imunodeficiência e com idade inferior a 3-6 meses.
 
Por a bronquite aguda surgir habitualmente na sequência de contágio, a criança que frequente infantário ou que tenha irmãos mais velhos a frequentarem infantário está também em maior risco de ser infetada.
 
Qual é o prognóstico?
Numa criança que não pertença a um grupo de risco, o prognóstico da bronquiolite aguda é bom. Geralmente a criança recupera gradualmente das lesões do epitélio respiratório e da inflamação num período de 1-2 semanas.
As evoluções clínicas mais arrastadas ocorrem sobretudo em crianças em risco ou com infeções mais graves, o que é mais comum nos primeiros meses de vida. A criança mantém por um período mais longo um quadro de sibilância com episódios de agudização.
 

Quais são os sintomas?

Os sintomas da bronquiolite consistem em:
§  Rinorreia;
§  Obstrução nasal;
§  Tosse com ou seu febre;
§  Dificuldade respiratória que vai agravando, acompanhada de sibilância (pieira);
§  Irritabilidade;
§  Recusa alimentar.
 
Nas crianças mais pequenas, a bronquiolite aguda pode manifestar-se numa fase inicial por apneia (pausas respiratórias).
 
Como pode ser feita a prevenção?
Algumas medidas preventivas podem ser tomadas para evitar o contágio e a infeção das crianças, como por exemplo:
§  Vacinação com palivizumab, para prevenção da infeção pelo vírus sincial respiratório (crianças em grupo de risco);
§  Lavagem das mãos;
§  Limitar o contacto com pessoas que tenham infeções respiratórias (como irmãos que frequentam o infantário), e caso seja impossível utilizar máscara;
§  Evitar locais de grande concentração de pessoas, poluídos e/ou com fumo de tabaco.
 
Como é feito o tratamento?
Regra geral, a bronquiolite é bem tolerada, não sendo necessário internamento. Os conselhos dados aos pais são fundamentalmente:
§  Fracionar as refeições (distribuir os alimentos por um maior número de refeições para prevenir cansaço);
§  Hidratar a criança com líquidos (sumos, água, etc.);
§  Desobstruir as fossas nasais e humidificar as vias respiratórias com nebulizações de soro fisiológico;
§  Controlar a febre com paracetamol (se temperatura superior a 38 oC );
§  Elevar a cabeceira da cama;
§  É recomendável colocar a criança numa posição vertical ou parcialmente sentada de forma a ser mais fácil a sua respiração;
§  Não são necessários antibióticos, uma vez que que a doença é provocada por um vírus;
§  Não é recomendável a administração de xaropes para a tosse ou outros medicamentos, a não ser que seja aconselhado por médicos;
§  Não deixar o bebé entrar em contacto com o fumo de tabaco.
 
Quando se deve contactar o médico?
É aconselhável contactar o médico nas seguintes situações:
§  Se o bebé alimentar-se menos do que metade da dose habitual, em duas ou três refeições ou não urinar durante 12 horas;
§  Se a febre for elevada (superior a 39 oC );
§  Se a criança tiver outros problemas de saúde (cardíacos, pulmonares, imunológicos, neurológicos);
§  Se os pais sentirem-se preocupados ou se a criança não estiver muito cansada ou irritada.
 
Como é feito o tratamento no hospital?

No hospital o bebé entre as análises realizadas será  feita a avaliação do oxigénio do sangue através de um aparelho chamado oxímetro de pulso (pequena luz colocada na mão, pé ou orelha da criança) de forma a decidir se o bebé necessita de oxigénio suplementar, habitualmente administrado por mascara facial ou um pequeno tubo colocado no nariz.
Para confirmar a causa da doença podem ser colhidas amostras de secreções para análise, efetuadas análises ao sangue bem como radiografias ao bebé. O internamento poderá durar alguns dias, até o bebé conseguir alimentar-se, não tiver dificuldade respiratória e não necessitar de oxigénio suplementar.
 

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