sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Infeção bacteriana


O que é uma infeção bacteriana?

Uma infeção bacteriana é uma invasão de bactérias a tecidos corporais, onde se multiplicam, libertam toxinas, provocam dano aos tecidos e inflamação, uma reação do sistema imunitário. Antes da invasão, as bactérias transmitidas por contatos diversos, colonizam o tecido e multiplicam-se, permitindo a invasão e o dano tecidual do organismo e o surgimento de sinais e sintomas.
 
Algumas bactérias possuem mecanismos de bloqueio da resposta imunitária (defesa do organismo), como por exemplo, possuem capacidade de interferir com a produção de anticorpos ou de interferir com o desenvolvimento das células T (um tipo de glóbulos brancos). Outras possuem cápsulas (invólucros externos) que impedem a digestão pelos macrófagos.

 

Como se dá a entrada das bactérias no corpo?

As bactéricas patogénicas, ou seja aquelas que podem causar infeção, podem entrar no corpo do homem de diversas formas, nomeadamente:

§  Ingestão de água ou alimentos contaminados;

§  Contaminação de mordidas, cortes, erupções cutâneas, escoriações e outras fissuras do corpo;

§  Mordida por insetos contaminados;

§  Inalação de partículas espirradas ou tossidas por indivíduos infetados;

§  Contatos com animais;

§  Beijos a pessoas infetadas;

§  Através dos olhos, ouvidos ou uretra;

§  Por não lavar as mãos depois de ir a casa de banho e de seguida tocar as mãos na boca, olhos, ou nariz.

 

Quais são os tipos de infeção?

Existem diversos tipos de infeção bacteriana, classificada de acordo com o meio de transmissão das bactérias, com o local onde foi desenvolvida a infeção entre outras:

§  Infeção aérea: infeção microbiana adquirida pelo contato com o ar e dos agentes infetantes nele contidos;

§  Infeção direta: infeção adquirida por contato direto com o indivíduo doente;

§  Infeção endógena: infeção devido a uma bactéria já existente no organismo, e que, se torna patogénica;

§  Infeção exógena: infeção provocada por bactérias provenientes do exterior;

§  Infeção focal: infeção limitada a determinadas região do organismo;

§  Infeção indireta: infeção adquirida através da água, dos alimentos ou por outro agente infetante externo e não de indivíduo para indivíduo;

§  Infeção nosocomial: infeção adquirida em meio hospitalar;

§  Infeção oportunista: infeção que surge por diminuição das defesas orgânicas;

§  Infeção puerpal: infeção surgida na mulher debilitada e com defesas diminuídas, logo após o parto;

§  Infeção secundária: infeção consecutiva a outra infeção e provocada por um organismo da mesma espécie.

§  Infeção séptica ou septicémia: infeção muito grave onde se verifica uma disseminação generalizada por todo o organismo das bactérias causadoras da infeção;

§  Infeção terminal: infeção muito grave, em regra causadora de morte.

 

 

Quais são as infeções provocadas pelas bactérias?

As bactérias têm a capacidade de colonizar diversos tipos de tecidos e órgãos e de provocar infeção. Nos diferentes órgãos do corpo existem assim:
 
§  Infeções do sistema nervoso central:

o    Meningite: infeção das meninges, as membranas que revestem o encéfalo e a medula espinal; é causada pela bactéria Haemophilus influenza tipo B, Streptococcus pneumoniae, ou outros agentes como vírus e algumas drogas. Causa dores de cabeça, rigidez da nuca, associadas a febre alta, confusão mental, alterações do nível de consciência, vómitos, intolerância a luz e a sons altos.


o    Encefalite: é uma infeção aguda do cérebro causado por bactérias como Mycobacterium turberculosis, Borrelia burgdoferi, Treponema pallidum ou pode ser causado por outros agentes como vírus, parasitas, e protozoários. Causa dor de cabeça, febre baixa, sensibilidade a luz, astenia e convulsões.
 

o    Abcesso cerebral: infeção que acomete o cérebro, resultando numa área com acúmulo de pus; origina, devido ao aumento da pressão intracraniana, dor de cabeça, náuseas, vómitos, convulsões, alterações do estado de consciência, fraqueza muscular entre outros. Pode resultar de outras infeções como otites crónicas, sinusites crónicas, mastoidites, infeções pulmonares (impiema, e abcesso), infeções dentárias, infeções cutâneas, infeções ósseas e infeções cardíacas.

§  Aparelho cardiovascular:

o    Miocardite: infeção do miocárdio, a camada média do coração composta por tecido muscular cardíaco, causada pela bactéria Corynebacterium Dipheteriae,  Borrelia burgdoferi ( doença de Lyme).Origina arritmias (batidas anormais do coração), dores no peito retenção de fluídos, e fadiga.

o    Encocardite: é uma infeção que atinge o endocárdio, a membrana que reveste internamente o coração (está em contato direto com o sangue); é causada pela bactéria Staphylococcus aureus, Streptococcus viridans, Enterococcus sp., Staphylococcus sp. Origina dor no peito, falta de ar, tosse e hemorragia nas plantas dos pés.

o    Pericardite: é uma infeção do pericárdio, uma membrana que envolve externamente o coração; pode ser causada pela Mycbacterium turbeculosis (causadora da tuberculose) e origina dor torácica, tosse seca, febre, fadiga e ansiedade.
 
§  Infeção pulmonar:

o    Pneumonia: é uma infeção que se instala no parênquima pulmonar, área do pulmão compreendida pelos alvéolos pulmonares e pelos bronquíolos respiratórios, causada por bactérias como Stretococcus pnemoniae, Kleibsiella penumoniae, Staphylococcus aureus, Haemophillus influenzae, Legionella pneumoniae originando sintomas como tosse produtiva, febre, dificuldade em respirar.
 

o    Tuberculose: infeção pulmonar causada pela Mycobacterium tuberculosis , e que origina tosse seca que evolui para tosse produtiva com sangue, cansaço excessivo, febre baixa (geralmente a tarte), sudorese noturna, falta de apetite, palidez, emagrecimento, rouquidão, fraqueza e prostração. Pode afetar outros órgãos como ossos, rins e meninges.
 
o    Abcesso pulmonar: infeção microbiana que causa a morte do tecido pulmonar, caracterizada pela formação de cavidades que variam desde milímetros a 5-6 cm de diâmetro, normalmente preenchidos com pus. Originam tosse, febre, expetoração com pus ou sangue com mau cheiro, febre, dor no tórax, perda de peso e aumento do tamanho das pontas dedos dos pés. Pode ser provocada por Staphylococcus aureus, Legionella pneumophyla.

o    Doença dos legionários: infeção pulmonar (atípica causada por bactérias do género Legionella, originando febre, tremores, tosse seca, dor muscular, dor do peito, náuseas e vómitos e respiração acelerada.
 

§  Infeção bacteriana dos olhos:

o    Conjuntivite: é uma infeção da conjuntiva ocular, a membrana transparente e fina que reveste a parte da frente do globo ocular (o branco dos olhos) e o interior das pálpebras; é causada pela bactéria Streptococcus pneumoniae, Staphylococcus aureus, e Hemophilus influenza, Chlamidia trachomatis, entre outros agentes (vírus e alergia). Origina vermelhidão dos olhos, lacrimejo, pálpebras inchadas, sensação de areia nos olhos, secura e comichão.
 

o    Blefarite: infeção não contagiosa que afeta as pálpebras, na região onde crescem os cílios, devido ao favorecimento do crescimento bacteriano.

o    Hordéolo: é uma infeção bacteriana dos folículos ciliares e das glândulas sebáceas nas pálpebras. É causada por bactérias como Estafilococcus; origina vermelhidão das pálpebras, inchaço da mesma, onde pode surgir um ponto branco ou amarelo de pus e também lacrimejo e aumento da sensibilidade a luz.
 
o    Tracoma (conjuntivite granulomatosa): é uma infeção que afeta a pálpebra, córnea e a conjuntiva ocular. É causada pela bactéria Chlamydia trachomatis e origina conjuntivite, corrimento ocular, pálpebras inchadas, sensibilidade a luz (fotofobia) e inchaço dos nódulos linfáticos.

 
§  Infeção dos ouvidos:

o    Otite média: é uma infeção no ouvido médio, um pequeno espaço de ar existente entre o tímpano e o ouvido interno, causada pela bactéria Streptococcus pneumoniae, Haemphilus influenza e Moxarela catarralis entre outros agentes (vírus). Causa dor profunda e diminuição da audição.

o    Otite externa: é uma infeção do canal auditivo, ou seja, do canal que liga o pavilhão auricular ao tímpano, e é causado pela Pseudomonas aeruginosa e Staphilococcus aureus; origina dor profunda e comichão.

 
§  Infeção do aparelho genital

o    Vulvite: é uma infeção causada entre outros fatores, por infeção bacteriana nas pregas cutâneas da vulva, a região mais externa dos órgãos genitais. Origina prurido, sensação de queimadura vulvar, ocorrência de secreção, pele com vermelhidão, formação de bolhas ou descamação.

o    Vaginite: Infeção dos tecidos da vagina causada por diversos, entre elas, a infeção bacteriana, causada por bactéria encontrada que normalmente na vagina saudável, mas que prolifera originando odor desagradável, prurido, vulva com aspeto avermelhado, inchado e comichão
 

§  Infeção dos ossos e articulações:

o    Osteomielite: infeção óssea, usualmente causada por infeção bacteriana causada por Staphilococcus (encontrado na pele e no nariz), ou por fungos e vírus; pode difundir-se e comprometer a medula, parte cortical, parte esponjosa e periósteo, causando dor no local da infeção, febre, calafrio, inchaço, calor e rubor sobre a área de infeção, irritabilidade e letargia.


o    Artrite: inflamação de uma ou mais articulações causada por infeção bacteriana entre outros fatores (traumas, desgaste, vírus); as bactérias que causam a infeção são geralmente: Estafilococo, Haemophilus influenzae, originando sintomas como dor nas articulações e ao seu redor, vermelhidão da pele, rigidez, especialmente pela manhã, e aquecimento ao redor da articulação.

o    Sinovite: inflamação da membrana sinovial, o tecido que reveste as articulações, causada por infeção bacteriana entre outras causas (autoimune, trauma, atrito); é causada por bactérias como Staphilococcus pyogens, Myocobacterium turberculosis, originando vermelhidão, calor e inchaço no local.
 
o    Bursite: inflamação da bursa, uma estrutura cheia de líquido que se localiza entre um tendão e a pele ou entre um tendão e o osso, com função de amortecimento, auxílio no deslizamento dos tecidos e sua nutrição; pode ser causada por infeções bacterianas, entre outros fatores (lesões repetidas, artrite reumatoide, e gota). É causado por Staphylococcus aureus, originando dor das articulações afetadas, rigidez, inchaço, calor e vermelhidão na articulação.

 §  Infeções da pele:

o    Celulite: infeção bacteriana das camadas profundas da pele, causa da por Streptcoccus pyogens ou Staphylococcus aureus, que invadem a pele devido a feridas, queimaduras, cortes, frieiras, acne ou picada de inseto. Origina febre, calafrios, dor local, pele avermelhada no local afetado, inchaço, inflamação dos gânglios linfáticos.


o    Escarlatina: doença infetocontagiosa provocada pela bactéria, Streptococcus pyogens, e que atinge as crianças e adolescentes. Origina infeção na garganta e é acompanhada por manchas na pele de cor vermelha (escarlate) e origina também dor abdominal, calafrios, febre, mal-estar, dor de cabeça, dor muscular, língua inchada e vermelha, para além de náuseas e vómitos.

o    Impetigo: é uma infeção cutânea superficial, comum em crianças pequenas, causada pelas bactérias Staphylococcus aureus ou Streptococcus pyogens, origina pústulas com pus, que causam comichão (prurido), com formação de crostas que podem espalhar-se por outras área do corpo (rosto, lábios, braço ou pernas), nódulos linfáticos inchados.

o    Foliculite: infeção de um ou mais folículos pilosos causada pela bactéria Staphylococcus auerus, e que ocorre em qualquer lugar da pele onde se encontram folículos pilosos, especialmente na zona da barba e das virilhas, onde origina pequenas pústulas (bolinhas de pus) com uma discreta vermelhidão a volta.
 
o    Furúnculo: infeção bacteriana causada pela bactéria Staphylococcus aureus, que envolve o folículo piloso, glândula sebácea e o tecido subcutâneo próximo a ele. Origina um nódulo avermelhado, doloroso, e cheio de pus, acompanhada de vermelhidão e suor na pele ao redor do abcesso. Após o atingimento do crescimento máximo do nódulo, este rompe e elimina pus e originando uma ferida ulcerada que ao cicatrizar deixa uma mancha escura no local.

 §  Infeções do aparelho digestivo:

o    Faringite: infeção ou simplesmente inflamação da faringe, causada por bactérias como Streptococcus pyogens, e também por outros agentes como vírus (Rinovirus, Adenovírus, entre outros). Origina sintomas como dor de garganta, garganta avermelhada e tumefacta, dificuldade em engolir, pontos ou placas esbranquiçadas, gânglios linfáticos do pescoço aumentados e dolorosos, febre alta (39 oC) e mal-estar;

o    Gastrite: infeção ou inflamação aguda ou crónica, causada pela Helicobacter pylori que aumenta a sensibilidade da mucosa gástrica, causando indigestão, queimação, azia, náuseas, vómitos, perda de apetite e dores abdominais.

o    Doença inflamatória intestinal: é um grupo ou condições inflamatórias do cólon e intestino delgado; pode ser causado por infeção bacteriana, viral, ou por distúrbio do sistema imunitário. Origina inflamação e inchaço do intestino que fica com feridas, causando dor abdominal, vómitos e perda de peso.

o    Proctite: infeção da mucosa do reto ou ânus causada por bactérias como Treponema Pallidum, Chlamydia trachomatis e outros agentes como vírus. Origina sintomas como sangramento retal, sensação frequente ou contínua da necessidade de evacuar, dor do lado esquerdo do abdómem, diarreia, dor com movimentos do músculo do intestino e passagem do muco pelo reto.
 

§  Infeções urinárias:

o    Pielonefrite: Infeção do trato urinário que atinge a pelve do rim, nomeadamente os túbulos, sistema coletor e interstício; é causado por bactérias da flora normal dos intestinos, como Escherichia coli, Enterobacter, Proteus Mirabilis e Kleibsiella. São complicações das infeções da uretra, e da bexiga e ou ureter. Causa dor na micção (disúria) e maior frequência e urgência (poliúria), inclusive a noite (notúria). Também provoca febre, suores, mal-estar e leucócitos na urina (piúria).

o    Cistite: infeção da bexiga, causada por bactérias da flora natural dos intestinos, como por exemplo a Escherichia Coli, Enterobacter, Proteus Mirabilis, Klebsiella. Provoca febre, dor lombar, disúria (dor ou queimação ao urinar), desconforto na região pélvica, urina turva ou com cheiro forte, tendência para urinar em pequenas quantidades e sensação de pressão no abdómem.

o    Uretrite: infeção da uretra, o canal que transporta a urina da bexiga para fora do corpo; é causado por bactérias como Neisseria gonorrhae, Chlamydia trachomatis, Escherichia coli, Enterobacter, Proteus Mirabilis, Kleibsiella. Pode também ser causada por vírus (DST). Origina sangue na urina, sangue no sémen, dor ou ardor ao urinar (disúria),secreção no pênis, febre (raramente), micção frequente e urgente (poliuria), comichão na área das virilhas ou pénis, dor na relação sexual (dispareunia).

 

 

Qual é o tratamento feito numa infeção bacteriana?

O tratamento da maioria das infeções bacterianas é feito com antibióticos, que são substâncias que têm a capacidade de interagir com as bactérias e de matá-las (bactericida) ou inibir o seu metabolismo e/ou a sua capacidade de reprodução (bacteriostático). Os antibióticos permitem que o sistema imunológico combata as bactérias com maior eficácia.

Dependendo da bactéria, são selecionados um determinado tipo de antibiótico para o tratamento da infeção. Isso para diminuir a hipótese de resistência da bactéria.

Existem diversos grupos de antibióticos como:

§  Aminoglicosídeos:

o    Utilizados em infeções severas causadas por bactéria gram-negativas como Escherichia Ecoli, (diarreia e infeções urinárias) e Klebsiella (Infeção respiratória e do trato urinário);

o    São exemplos: amicacina, gentamicina, neomicina, estreptomicina, netilmicina.

 
§  Macrólidos:

o    Utilizado no tratamento infeções por Streptococcus (Infeções respiratórias, meningite, faringite, sífilis), Mycoplasma, Borrelia burgdorferi (Doença de Lyme);

o    São exemplos: azitromicina, claritromicina, eritromicina, espiramicina, roxitromicina, telitromicina.

 
§  Monobactames: utlizado no tratamento de infeções causadas por gram-negativas, como as enterobactérias, Yersinia, Pseudomonas, Aeromonas, Nesseria.

o    Este grupo é constituído pelo Aztreonam.

 
§  Quinolonas:

o    Utilizados no tratamento de infeções urinárias, diarreias (infeções gastrointestinais), prostites, gonorreia;

o    São exemplos: ciprofloxacina,levofloxacina, lomefloxacina, moxifloxacina, norfloxacina, ofloxacina, prulifloxacina.

 
§  Penicilinas:

o    Utilizadas no tratamento de infeções causadas por muitos gram-positivos, incluindo Staphylococcus aureus e S. epidermidis, estreptococos, pneumococos de todos os grupos e também alguns tipos de enterococos.

o    São exemplos: amoxicilina (endocardite, ulcera péptica), ampicilina (infeções respiratórias, otite, sinusite, infeções urinárias), flucloxacilina, piperaciclina, pivmecilinam.

 
§  Sulfonamidas:

o    Utlizadas no tratamento de infeções urinárias e prostites;

o    São exemplo sulfametoxazol utilizado em associação com trimetropim.

 
§  Cefalosporinas primeira geração:

o    Antibiótico bactericida utilizado no tratamento de infeções bacterianas causadas por cocos gram-positivos, incluindo os estafilococos produtores de betalactamases beta, é ativo contra Escherichia coli, Klebsiella pneumoniae e Proteus spp.

o    São exemplo cefadroxil, cefatrizina, cefradina.

 
§  Cefalosporinas de segunda geração:

o    Antibiótico bactericida utilizado no tratamento de infeções bacterianas causadas por cocos gram-positivos, incluindo os estafilococos produtores de betalactamases beta, é ativo contra Escherichia coli, Klebsiella pneumoniae e Proteus spp.

o    São exemplos: cefaclor (infeções respiratórias, otites, meningite), cefeprozil, cefonicida, cefoxitina, cefuroxima.

 
§  Cefalosporinas de terceira geração:

o    Antibiótico bactericida utilizado no tratamento de infeções bacterianas causadas por cocos gram-positivos, incluindo os estafilococos produtores de betalactamases beta, é ativo contra Escherichia coli, Klebsiella pneumoniae e Proteus spp.

o    São exemplos: ceftidoreno, cefetamet, cefixima (infeções respiratórias, otite média, infeções urinárias), cefodizima sódica, cefotaxima, ceftazidima, ceftriaxona.

 


Como é feita a prevenção das infeções bacterianas?

A prevenção das infeções podem ser feitas através:
§  Vacinação: é um dos métodos mais eficazes de prevenção das infeções bacterianas; o programa nacional de vacinação permite a vacinação contra tuberculose, difteria, tosse convulsa. Existem outras vacinas fora do programa nacional de vacinação contra a cólera, meningite, infeções pneumocócicas ou a febre tifoide;
§  Lavagem das mãos após a ida a casa de banho, e antes de comer ou de cozinhar alimentos;
§  Lavagem das mãos depois de contato com alimentos ou de ter conato com pessoas infetadas;
§  Cortar as unhas e mante-las sempre limpas;
§  Não usar anéis, pulseiras, relógios e outros adereços enquanto prepara alimentos;
§  Armazenar e cozinhar alimentos corretamente: as carnes e os peixes devem ser congeladas em dose individuais, os ovos, leite e derivados (iogurtes, queijos, manteigas) depois da abertura devem ser conservados no frio (4- 8 oC); isto para evitar intoxicações alimentares;
o    as sobras das refeições também devem ser guardadas no frio para impedir a proliferação de bactérias;
§  Evitar espirar, ou assoar sobre alimentos enquanto cozinha;
§  Manter limpos os utensílios, equipamento e todas as superfícies da cozinha.
 

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Varicela


O que é varicela?
Varicela é uma doença infeciosa aguda, altamente contagiosa, causada pelo vírus varicela zóoster (Human herpes virus 3- HHV3). É uma muito frequente na infância, embora também possa afetar adultos. Depois de o vírus ficar latente nos gânglios linfáticos pode reativar na idade adulta dando origem a uma nova infeção chamada de zona.
 
 
Quais são as causas?
A varicela é causada pela infeção pelo vírus varicela-zóoster, que se transmite facilmente de pessoa para pessoa por via área, através de gotículas emitidas pelo espirro ou tosse, e pelo contato com as pápulas (lesões avermelhadas) disseminadas pelo corpo (exantema).
A transmissão ocorre através de pessoas infetados dois dias antes do aparecimento das lesões e até cinco dias depois da última lesão. A doença é altamente infeciosa, infetando pessoas que nunca tiveram a doença, e que passaram mais de uma hora na mesma sala que uma pessoa infetada.
 


Quais são os sintomas?
A varicela é uma doença muito comum na infância que apresenta os seguintes sinais e sintomas:
§  Lesões arredondadas e avermelhadas (pápulas) por todo corpo: o exantema ou a disseminação de lesões avermelhadas pelo corpo é característico da varicela; aparece um a dois dias depois da infeção;
§  Formação de crostas devido ao início da cicatrização das bolhas cheias de líquido (pápulas);
§  Comichão (prurido): a formação das crostas nas bolhas provoca muita comichão;
§  Febre: entre 37,5 - 39,5 oC ;
§  Mal-estar;
§  Falta de apetite;
§  Dor de cabeça;
§  Cansaço.
O exantema é mais frequente na região torácica, mas pode aparecer por todo o corpo, incluindo o couro cabeludo e a mucosa oral.
A varicela geralmente é inofensiva, exceto em doentes imunocompetentes e neonatos, podendo causar infeções no cérebro e no pulmão. Nos adultos os sintomas são mais sérios e a doença pode ser mais perigosa, podendo evoluir para uma pneumonia intersticial.
 
 
Como é feito o diagnóstico?
O diagnóstico da varicela é feito principalmente através do quadro clínico-epidemiológico. O vírus pode ser isolado para análise retirando amostras das vesiculas durante os primeiros 3 e 4 dias de erupção.
 
 
Como é feito o tratamento?
O tratamento da varicela é sobretudo sintomático, ou seja, tem como objetivo aliviar os sintomas enquanto o organismo luta contra a infeção. Assim,
§  Para o alívio da comichão (prurido), que é o sintoma mais incomodativo é aconselhado:
o    Banhos de água morna com óleo de banho, aveia ou ½ chávena de bicarbonato; as duas últimas substâncias ajudam a prevenir a infeção bacteriana;
o    O banho deve ser normal: mesmo em caso de uma severa erupção cutânea; o banho não aumenta as lesões e tem um efeito preventivo das infeções;
o    O banho deve ser dado com suavidade e de seguida a pele deve ser bem seca;
o    Aplicação de uma loção de calamina;
o    Anti-histamínicos orais: ajudam a diminuir a comichão e a conciliar o sono;
o    Para evitar que a criança lesione a pele ao coçar é recomendável cortar as unhas;
§  Para alívio da febre: caso a febre exceda 38,5 oC é aconselhável tomar um antipirético como por exemplo o paracetamol; não é aconselhável dar a crianças aspirina pelo risco de ocorrer o Síndrome de Rayes , uma complicação da varicela que ocorre em crianças que tomam a aspirina e que afeta o cérebro, fígado e os rins.
§  Como a causa da varicela é viral, os antibióticos não têm nenhum efeito na melhoria do doente;
§  A dieta deve ser normal: é aconselhável uma dieta normal, mesmo que a criança não tenha apetite; também é aconselhável a ingestão de líquidos, como sumos, principalmente se tiver febre.
 
Qual é o prognóstico?
A maioria das crianças e adultos recuperam em algumas semanas apenas com o descaço e a ingestão de muita água. Contudo, em alguns casos verificam-se algumas complicações como:
§  Pele mais vermelha;
§  Dor no peito;
§  Dificuldade respiratória.
Esses sintomas são sinais que as lesões infetaram e precisam de acompanhamento médico. Uma pequena percentagem dos adultos (5-14%) desenvolvem problemas pulmonares, como pneumonia, especialmente fumantes.
As complicações são problemáticas para as grávidas e recém-nascidos. Quanto mais cedo na gravidez a mulher sofrer infeção maior é o risco do feto desenvolver malformações. Contudo o risco de desenvolver malformações é pequeno (apenas 2%). A partir do 5º mês pode haver risco de ocorrer parto prematuro. Se o recém-nascido for infetado a varicela costuma a ser mais grave.
Indivíduos com imunidade baixa costumam a ter como complicações:
§  Pneumonias: inflamação do parênquima pulmonar que resulta numa menor capacidade dos pulmões efetuarem trocas gasosas;
§  Septicémias: inflamação generalizada grave que se espalha por todo corpo, provocando febre, respiração rápida, e que põe o paciente em risco de vida em poucas horas;
§  Meningites: inflamação das membranas que revestem o encéfalo e a medula espinal originado febre alta, confusão mental, dores de cabeça, vómitos, etc.
 
 
Como é feita a prevenção?
A prevenção da varicela é feita através da toma da vacina contra varicela, uma vacina com vírus atenuado. Em crianças com idade entre 12 meses e os 12 anos é indicado uma dose única. A partir dos 13 anos deve-se efetuar duas doses com intervalo de 4-8 semanas. Podem ser administradas com outras vacinas em locais diferentes.
A proteção da vacina contra a varicela oferece uma boa proteção, entre 80-90%, que pode durar mais de 15 anos. A criança vacinada pode desenvolver varicela embora os sintomas sejam menores e a duração da doença seja mais curta.
A vacina está contraindicada em crianças imunodeprimidas, que estejam a fazer tratamento prolongado com corticosteroides ou com aspirina e recetores de transfusão de sangue.